terça-feira, 03 / maio / 2011 | Caderno - Capa
Medo de ir e vir no Recife
CTTU não tem esquema para emergências no trânsito e população paga alto pelo descaso
A chuva virou sinônimo de pânico para os recifenses. E de abandono do poder público. Depois de um fim de semana com cenas surreais de carros submersos em bairros nobres da cidade e de gente sendo resgatada pelos bombeiros em bares e restaurantes, a segunda-feira seguiu trazendo medo à população. Os transtornos que antes só prejudicavam quem estava nos morros ou trafegava por vias historicamente problemáticas agora se multiplicam por todos os lados. O medo de ser a próxima vítima em ruas e avenidas completamente alagadas atinge todas as classes sociais. Gente que trabalha e tem o carro danificado por problemas de drenagem. Uma população entregue à sorte do tempo que na hora do caos conta com o amadorismo da prefeitura para resolver os problemas de mobilidade.
As últimas chuvas denunciaram a existência de novos pontos de alagamento tão sérios quanto os já conhecidos nas avenidas Mascarenhas de Moraes, na Imbiribeira, e no cruzamento da Avenida Caxangá com a BR-101. Agora, o nível da água está subindo com mais velocidade e não tem para onde escoar em trechos das avenidas Domingos Ferreira, do Forte e Abdias de Carvalho e em diversas vias do Espinheiro, Aflitos, Tamarineira, Rosarinho, Casa Forte.
A CTTU também não consegue acertar o passo para questões emergenciais. Até ontem, o único plano para desafogar as ruas e ajudar os motoristas era aumentar de 90 para 120 o número de agentes nos horários de pico, com reforço nas vias de maior fluxo e com semáforos quebrados. Ontem sinais apagados podiam ser vistos na Rua Amélia, nas Graças, e no bairro de Santo Amaro, por exemplo. “Se houvesse ao menos 200 homens, a CTTU poderia agir mais rapidamente. A nossa cultura é de fiscalização e não de orientação”, disse o consultor em mobilidade urbana Germano Travassos.
Ontem, a companhia inaugurou uma conta no Twitter. Mas o serviço deixou a desejar. Além de ter encerrado pouco antes das 18h, foi alvo de críticas nas redes sociais por não dar informações úteis, como locais com alagamentos e vias de escape. Além disso, o “expediente” começou muito tarde para quem já estava nas ruas congestionadas, depois das 9h30.
“Vamos mudar o que for preciso”, minimizou a presidente da CTTU, Maria de Pompéia Pessoa. No site da CTTU, nem todas as imagens das 22 câmeras espalhadas pela cidade estavam disponíveis. Às 18h de ontem, quatro estavam sem funcionar. Motivos para a população temer mais um dia de chuva. E o inverno só começou.
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