São Paulo – As saídas de Antonio Palocci da Casa Civil e de Luiz Sérgio da Secretaria das Relações Institucionais serviram para amainar a crise que já há algumas semanas rondava o Palácio do Planalto. O episódio, no entanto, revelou as fissuras existentes entre a presidente Dilma Rousseff e a base aliada. Dilma parece bem mais comprometida em promover reformas e avanços institucionais do que os principais partidos que lhe dão sustentação Mesmo com maioria absoluta, a presidente acaba refém de quem só quer cobrar mais cargos e poder na administração federal sempre que precisa aprovar alguma lei importante no Congresso. Deputados e senadores do PT, PMDB e outras legendas têm se mostrado tão fisiológicos que a revista VEJA chegou a classificá-los de “base alugada”.Para o diplomata e ex-ministro Marcílio Marques Moreira, o caminho que a presidente deveria seguir para manter o país no rumo do crescimento de longo prazo é se aproximar do PSDB. O estreitamento da relação com o partido de oposição poderia facilitar a aprovação das reformas tributária e previdenciária, melhorando o perfil das contas públicas. Dilma já teria dado sinais de que entendeu isso ao enviar, na semana passada, uma carta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Com um tom bastante elogioso, Dilma atribuiu a FHC o controle da inflação e a consolidação da democracia no Brasil.
Marcílio Marques Moreira foi ministro da Fazenda no governo Collor, teve passagens pelo FMI e pelo BNDES e faz parte do conselho de administração de diversas empresas, como Brookfield, Energia, Valid e Setter Investimentos. Em entrevista a EXAME.com, ele falou sobre política, economia e diplomacia no Brasil, China, EUA e Europa.
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