FABIO VICTOR
GABRIELA LONGMAN
DE SÃO PAULO
Com o título "O meu não ao Brasil de Battisti", um artigo estampado na primeira página do jornal italiano "La Repubblica", anteontem, detalhava as justificativas do escritor Antonio Tabucchi para não vir à Flip.
Um dos principais romancistas europeus, ele seria destaque na programação de sexta-feira em Paraty, mas cancelou de última hora a sua participação.
No texto, Tabucchi critica as instituições brasileiras pela recusa em extraditar o ex-militante esquerdista Cesare Battisti, acusado de quatro mortes na Itália quando atuava numa organização terrorista.
Segundo ele, o fato de o Supremo Tribunal Federal ter remetido a decisão ao então presidente Lula demonstra o quanto, no Brasil, "o Poder Judiciário é submisso ao poder político".
Tabucchi opina que o desfecho "não constitui somente uma ofensa à República italiana, mas é também uma ferida que se inflige ao direito internacional".
O escritor italiano Antonio Tabucchi, que não vem mais para a Flip
Tabucchi mencionou a onda de rebeliões em presídios simultânea aos ataques do PCC em São Paulo em 2006 como sinal de que é o Brasil quem deve cuidar de sua política carcerária.
"Como não precisamos da observações de Lula para melhorar o sistema carcerário italiano, Lula deveria pensar em melhorar o seu: na revolta nas prisões de São Paulo, em 2006, a intervenção da polícia antimotim provocou a morte de 81 detentos, alguns deles queimados em suas celas."
Tabucchi relembrou ainda o caso de Alejandro César Enciso, torturador na ditadura argentina e que, apesar dos pedidos de extradição feitos pela Itália segue "sob tutela" da polícia brasileira. "Tão 'sob tutela' que podemos adiciona-lo como amigo no Facebook", ironizou o escritor.
Ele disse ser inexata a notícia de que teria desistido de vir à Flip "em protesto".
"Não cabe a mim 'protestar'. É que não tenho vontade alguma de ver chegarem Battisti e Enciso (...), que, transformando um festival literário numa aula de justiça, venham discutir seus casos com um escritor italiano."
Tabucchi alega que uma controvérsia jurídica entre países poderia virar "fofoca de evento literário".
Leia mais, no link acima.
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