Um partido que em sua fase heroica avançava impelido pelos sonhos da militância e agora se move pela rotina dos funcionários. Que convive com a presença “opressiva” de um grande líder e é controlado por “uma geração política que envelhece sem novas lideranças”. Cuja força eleitoral, “como a estrela que a simboliza”, é apenas “o brilho de uma realidade que já desapareceu”.
É do PT que se fala - e a voz é de um antigo militante, o hoje historiador da USP Lincoln Secco. Sincero, dando nome às coisas, ele acaba de lançar um livro sobre os 31 anos de existência do partido. História do PT (Ateliê Editora) chega num momento conturbado da sigla - o início do terceiro mandato na Presidência entremeado de escândalos, queda de ministros e desentendimentos entre legenda, aliados e a presidente Dilma Rousseff. De quebra, um congresso nacional que se empenhou em trazer de volta o debate sobre marco regulatório e controle da mídia.
A confusão é pedagógica. “Não faria sentido escrever essa história antes de o PT passar pelo teste do poder”, diz o autor. “Só recentemente ficou possível contar como surgiu e evoluiu a militância, depois o período de refluxo do sindicalismo e, por fim, o modo como ele se sai no exercício do poder.”
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