O deputado federal João Paulo (PT) não quis polemizar. Disse que as declarações do senador Humberto Costa (PT), relacionadas à sua eventual saída do PT e à consequente perda do apoio do ex-presidente Lula, foram fruto de falta de bom senso. “Ele (Humberto) foi muito infeliz, mas tudo bem”, resumiu. As poucas observações do deputado petista foram externadas ontem, um dia depois de Humberto praticamente lhe dar um ultimato ressaltando os riscos que correrá caso deixe o partido.
O senador avisou que se o ex-prefeito se filiar a outra legenda não terá o respaldo de Lula numa possível disputa Prefeitura do Recife, em 2012. E acrescentou que nenhum outro aliado, incluindo o governador Eduardo Campos (PSB), estará no seu palanque. Há que se destacar que João Paulo alimenta o sonho de voltar a concorrer à Prefeitura do Recife, mas o PT, pelo menos até o momento, tem indicado que o atual prefeito, João da Costa, será candidato à reeleição.
Embora tenha optado por não manifestar-se mais “profundamente” sobre o que disse o senador, João Paulo não teria gostado da atitude do aliado. Ainda mais porque Humberto recorreu ao nome de Lula para anunciar o que foi considerada uma ameaça por representantes da base governista. Nos bastidores, houve quem lembrasse que há pouco mais de 15 dias João Paulo esteve com o ex-presidente da República para tratar da sua situação no partido. E, pelo que foi divulgado na ocasião, boa parte do conteúdo da conversa ficou restrita aos dois.
“Parece que Humberto quer manter João Paulo no PT, mas dentro de condições que o PT quer impor. Parece que quer decretar a morte política de João Paulo. Ou ele fica no PT, dentro das regras do partido, ou se acaba politicamente”, observou um parlamentar da base governista. “O senador Humberto Costa estaria falando em nome dele mesmo? Teria sido autorizado a falar pelo governador e pelo presidente Lula?”, questionou.
Ontem, por meio da Secretaria de Comunicação, Eduardo Campos informou que não iria comentar as declarações de Humberto. Disse que não ia se intrometer na economia interna de outros partidos. De qualquer modo vale relembrar que, pelo menos oficialmente, o governador tem dito que só tratará de eleição em 2012.
Ao mesmo tempo em que “ameaçou” João Paulo, Humberto declarou que o deputado poderá ser o candidato do PT, caso João da Costa desista de concorrer à reeleição ou não alcance as condições necessárias. “Ninguém pode ser excluído”, disse. A observação acabou sendo entendida como um recado ao prefeito. Segundo avaliam governistas, o PT não estaria tão convencido assim de que investir na reeleição do prefeito será um caminho fácil.
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