O ex-prefeito do Recife, João Paulo (PT), admitiu ontem que a nova decisão do 4º Congresso Nacional do PT, em limitar a realização de prévias para a escolha de seus candidatos, colocou mais uma “pedra” em sua pretensão de disputar a eleição de 2012. O partido decidiu que se houver mais de um petista querendo concorrer a um cargo majoritário, os candidatos terão que se submeter a uma prévia. Porém, se dois terços do diretório definirem que não há necessidade de escutar todos os filiados, será então convocada uma reunião com os delegados do partido que poderão decidir sobre o assunto.
Para João Paulo, o partido transferiu para os diretórios a responsabilidade tanto pelos acertos quanto pelos erros. “Antes, quando um filiado queria disputar, podia colocar seu nome para ser candidato. Agora, há uma transferência da responsabilidade dos candidatos ou pré-candidatos para os diretórios. Eles (os diretórios) assumem a responsabilidade de fazer prévia ou não. Se algo der errado ou não, eles serão responsabilizados pelo resultado eleitoral. Quem vai decidir é o diretório municipal ou estadual”, garantiu.
Apesar de se achar prejudicado com as novas regras, o petista admite que as prévias antes eram indiscriminadas e havia um certo exagero. “Deveria haver o bom senso. Só se deveria fazer prévia quando fosse extremamente necessário”, ponderou. “A partir de agora, quem tiver o controle do partido poderá impor algo que talvez não seja o melhor para a legenda”, disse, mostrando-se preocupado.
Uma preocupação que tem nome e sobrenome. Seguindo esse raciocínio, o prefeito do Recife, João da Costa (PT), seria beneficiado diretamente. Hoje ele conta com o apoio do senador Humberto Costa, do deputado federal Fernando Ferro, e do presidente do PT no Recife, Oscar Barreto. Todos indicaram nomes para o secretariado e cargos de segundo e terceiro escalões da prefeitura.
Entre os aliados do prefeito circula a informação de que João Paulo estaria procurando apenas pretexto para sair do partido. Ontem, Oscar Barreto desmentiu a informação de que houve mudança nas regras para as prévias. “Vai ficar como sempre foi. Qualquer decisão, seja prévia ou decisão do diretório, se o filiado se sentir prejudicado de alguma decisão pode recorrer”, afirmou.
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