domingo, 23 de outubro de 2011

Lei Geral da Copa-2014: por que o Brasil vai ter de ceder - Veja.com

Ricardo Teixeira e Jeróme Valcke no anúncio da tabela da Copa, na última quinta, em Zurique: a Fifa já avisou que, para ela, Orlando Silva não existe mais

Lula aceitou os termos da Fifa, Orlando Silva foi incapaz de obter um acordo e Dilma agora promete endurecer. Mas as concessões para 2014 são inevitáveis

Ex-presidente da UNE e militante do PC do B, Orlando Silva Júnior chegou à cadeira de ministro do Esporte graças à mesma lei da Física que fez do Brasil a sede da Copa do Mundo de 2014: a inércia. Candidato único no pleito para receber o Mundial, o país foi beneficiado pelo sistema de rodízio entre os continentes (regra que, desde então, já mudou). Não foi necessário apresentar um projeto convincente - único país das Américas que se interessou em fazer a Copa, o Brasil simplesmente estava na fila, e isso já foi o bastante. Contemplado com um lugar no governo graças à farra da distribuição de cargos aos aliados do governo Lula, Orlando Silva virou secretário Nacional de Esporte, secretário Nacional de Esporte Educacional e secretário-executivo da pasta, ainda que não tivesse qualquer experiência prévia na área. Quando o então ministro Agnelo Queiroz saiu para disputar as eleições, Orlando Silva herdou a vaga do chefe graças à qualificação profissional mais valiosa num governo petista: era do partido certo. O PC do B, que tornou-se dono do Ministério na partilha do poder federal, manteve Orlando Silva no gabinete durante os últimos cinco anos. Medíocre na gestão dos assuntos da pasta e suspeitíssimo em sua conduta pessoal, o comunista agora se agarra por um fio. Envolvido num escandaloso caso de corrupção revelado por VEJA, é visto como carta fora do baralho até dentro do governo. Antes mesmo de formalizada a demissão, sofreu a humilhação pública de ter sido descartado como interlocutor da Fifa. Enquanto o ministro tentava salvar o emprego em Brasília, a entidade divulgava a tabela do Mundial na Suíça e avisava, numa entrevista coletiva transmitida ao vivo para o mundo todo, que aguarda por outro ministro. "Creio que na próxima reunião que tivermos no Brasil, em novembro, já vamos conversar com a nova pessoa indicada pela presidente Dilma. Estou confiante de que ela tomou a decisão certa", disse, com a sutileza de um zagueiro de várzea, o secretário-geral da Fifa, o francês Jeróme Valcke.
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