domingo, 23 de outubro de 2011

O caderninho de Dilma - Diário PE

O estilo direto da presidente Dilma Rousseff já provocou muitos calafrios em integrantes do governo, parlamentares da base aliada e incautos interlocutores desacostumados com a objetividade impressa pela presidente nas relações pessoais e políticas. Diferentemente do antecessor imediato, Luiz Inácio Lula da Silva, que, nas palavras de um antigo conhecido, “faz política para ganhar sempre e abraça adversários com a mesma facilidade com que detona aliados”, Dilma tem mais dificuldade em acostumar-se às contemporizações. Por isso, nesses primeiros 10 meses de gestão, colecionou uma lista de desafetos com os quais não quer travar qualquer tipo de contato. 


Um dos principais é o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira. A pouco mais de três anos da Copa do Mundo de 2014, a presidente não faz a mínima questão de esconder que não gosta do cartola. Vários fatores levaram a esse distanciamento. O principal deles são as denúncias, sucessivas, de corrupção envolvendo o dirigente esportivo, tanto no âmbito da CBF quanto em decisões da Fifa sobre escolhas das sedes para as Copas do Mundo marcadas para depois de 2014, então reserva-se o direito de não atrelar a imagem do dirigente à sua imagem. 



Os grandes eventos esportivos marcados para o Brasil estão gerando dissabores para a presidente. A Olimpíada do Rio de 2016 não é exceção. Dilma está sem paciência com o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. A intenção inicial da presidente era que Meirelles fosse o grande administrador dos jogos no Rio, mas brigas políticas com o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o prefeito carioca, Eduardo Paes, esvaziaram a influência do ex-presidente mundial do Bank Boston. Dilma nomeou Márcio Fortes para o cargo e avisou a Meirelles que ele seria o representante do governo federal no Conselho da APO. O ex-presidente do BC continuou tristonho e aceitou o convite para filiar-se ao PSD.



Cabral também é outro amigo de Lula que está em rota de colisão com a presidente. Dilma tem emitido sinais constantes de que o governador fluminense ultrapassou o limite do bom senso no debate sobre a divisão dos royalties do petróleo. 



As trocas de ministros deixaram sequelas graves no humor presidencial. Nelson Jobim foi o principal deles. Dilma nunca escondeu que preferia tirá-lo da Defesa, mas acabou aceitando os apelos de Lula e manteve-o no governo. Em oito meses na pasta, falou demais e fez de menos. O escândalo nos Transportes também levou a presidente a riscar de sua caderneta o senador Alfredo Nascimento  e o deputado Valdemar Costa Neto. 

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