terça-feira, 15 de novembro de 2011

Calçadão de Boa Viagem esburacado - Diário PE

Era para ter uma durabilidade maior e garantir a acessibilidade dos pedestres e turistas que visitam a orla. Mas os blocos intertravados, que substituíram as pedras portuguesas no calçadão da Praia de Boa Viagem, já apresentam sinais de desgaste. Cinco anos depois do início da execução do Projeto Orla, que “mudou a cara” de um dos principais cartões-postais do Recife, o piso tem vários pontos de desnível ao longo dos 8,5 quilômetros de calçadão. Em alguns trechos há buracos que chegam a 2 metros de comprimento.

Em frente ao cruzamento da Avenida Boa Viagem com a Rua Ernesto de Paula Santos, uma dessas crateras surgiu após a colocação de um poste. A retirada de alguns blocos, para fixação da base, levou ao desprendimento de outros. “Aos poucos, um espaço grande de areia se formou. E quando as pedras se soltam, o pessoal vem e rouba. É feio para a cidade, que está prestes a receber grandes eventos e não parece bem cuidada”, disse o vendedor Sílvio Ramos, 45 anos. 
Próximo ao número 3.870 da avenida, o pavimento abriu espaço para uma cratera de cerca de dois metros de comprimento, dificultando a passagem dos pedestres. “Sofremos para chegar aqui com o carrinho de bebê. Além de as calçadas não terem guias rebaixadas e serem deterioradas, o calçadão não oferece estrutura adequada. Se a ideia era obter um piso mais uniforme, não sei se adiantou. Os blocos continuam caindo”, comentou o engenheiro Anderson Xavier, 31. 

Segundo o diretor de Manutenção Urbana da Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), Fernando Melo, os buracos foram provocados por ações de colocação de postes, orelhões e também de vândalos. “Esses blocos são resistentes, mas se soltar um, perdem a uniformidade”, afirmou ele, explicando que os blocos possuem muitas vantagens em relação às pedras portuguesas. “É um tipo de tecnologia que tem uma maior facilidade de assentar e um custo mais baixo de manutenção. A pedra tinha que ser quebrada para ser colocada, além de ter uma irregularidade, causada pela trafegabilidade de pessoas e carroças”, disse.

A Emlurb está realizando um levantamento para recuperar o pavimento do calçadão. Até o fim de novembro, os trechos quebrados devem ser catalogados e, na primeira quinzena de dezembro, haverá a recomposição do piso. “A obra não terá custo para o município, pois será feita através de um convênio cooperação técnica entre a Prefeitura e a empresa fabricante dos blocos, onde só entramos com a fiscalização”, afirmou Fernando Melo. 

Substituição

O revestimento em blocos intertravados começou a moldar os passeios públicos a partir de 2007, em substituição às conhecidas pedras portuguesas, instaladas ainda no século XX, em diversas ruas e avenidas do Recife. No calçadão de Boa Viagem, as pedras de calcário pretas e brancas, que se cruzavam em formato de peixes, foram trocadas pelos blocos grafite, amarelo e vermelho em meio à polêmica sobre o valor histórico e a necessidade de dar uniformidade e baratear a manutenção da orla.

Os blocos intertravados agem aliviando a pressão transmitida ao sub-leito e à base, o que diminui a possibilidade de deformação. De acordo com a arquiteta e urbanista Patrícia Collier, 32, o modelo instalado de forma correta tem longa durabilidade. “Esse material é utilizado em outros locais, inclusive em países europeus. É indicado para as pessoas caminharem, pois é nivelado. O que pode ter acontecido aqui é a falta de manutenção adequada ou problemas na colocação das peças”, explicou.

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