São Paulo - Assim que cheguei a Nova York, em março de 1977, tratei de ligar para o hotel onde João Gilberto se hospedava à época do lançamento de seu novo disco Amoroso. Nem passou por minha cabeça entrevistar o ídolo que conhecia pessoalmente fazia uns dez anos. Queria mesmo era estar com João, bater papo, jogar conversa fora. Ouvir, quem sabe, o som inatingível do canto de João com o violão de João. Tinha ele terminado de gravar o novo disco e devia estar excitadíssimo para contar detalhes. O arranjador era o alemão Claus Ogerman, que já havia orquestrado os temas instrumentais de Antonio Carlos Jobim em The Composer of Desafinado. Agora, sete anos depois de um disco relativamente pouco divulgado – gravado no México com o arranjo de Oscar Castro Neves –, João voltava a cantar com orquestra. Como em seus três primeiros discos brasileiros.
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