Nada de estrangeiros. O responsável pela empresa Texport Inc, que encaminhou para o Porto de Suape dois contêineres com lixo hospitalar, é cearense. A Polícia Federal (PF) revelou ontem que o brasileiro morava nos Estados Unidos, onde constituiu a exportadora no ano 2000, e que mantinha residência também em Fortaleza. Um irmão dele dono de uma importadora de tecidos no Ceará também comprava mercadorias da Texport, assim como a empresa NA Intimidade, de Santa Cruz do Capibaribe, Agreste do estado. Era para lá que deveria seguir a carga ilegal apreendida em Suape. A PF confirmou, ainda, que os lençóis importados estavam contaminados com sangue humano. Agora, a polícia está prestes a concluir o inquérito que pode indiciar por contrabando, crime ambiental e crime contra a saúde pública tanto o cearense administrador da exportadora quanto os dois empresários que atuavam no Brasil: o irmão do cearense e Altair Teixeira de Moura, proprietário da NA Intimidade, que usava o nome fantasia Império do Forro de Bolso.
O empresário cearense e o irmão dele foram encontrados durante o cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão que a PF realizou, na terça-feira, em Fortaleza. Nas duas unidades da importadora, foram recolhidos R$ 268 mil em espécie, documentos, computadores e amostras de lençóis com inscrições de unidades médicas dos Estados Unidos, algumas delas, inclusive, com manchas semelhantes às que haviam nos tecidos achadas no galpão da Império do Forro de Bolso, de Altair Teixeira de Moura.
Da casa de um dos irmãos, foram retidos R$ 57 mil e US$ 1,9 mil. Um deles foi proibido de deixar o estado do Ceará sem autorização judicial prévia e teve o passaporte retido. A polícia não divulgou os nomes dos investigados. A importadora de Fortaleza e a NA Intimidade eram, a princípio, os dois únicos clientes da Texport no Brasil. “Talvez, o material apreendido agora possa indicar se a mercadoria entrava por outros canais”, disse o diretor de combate ao crime organizado da PF-PE, Nilson Antunes da Silva. Se a PF constatar que outras empresas compravam os tecidos, será aberta uma investigação para tratar do assunto. Tudo o que foi recolhido será periciado pelo Instituto Nacional de Criminalística. A pena para os três crimes em concurso pode chegar a 11 anos de reclusão.
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