sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pressão para por Lula entre suspeitos - Diário PE

No último dia de prazo para os réus no processo do mensalão apresentarem as respectivas defesas, o publicitário Marcos Valério entregou, ontem, suas alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele questiona a ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação e afirma discordar da dimensão dada a seu nome na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF). “O simples operador do intermediário foi trazido para o papel de figura central”, argumenta, citando que era apenas um “desconhecido” e que deram a ele “uma importância desmedida”.

A defesa de Valério diz ainda que, segundo a denúncia, ele teria agido sempre sob orientação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. No documento de 148 páginas, o advogado Marcelo Leonardo confirma que Valério – que também responde pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e peculato – fez empréstimos bancários a partidos políticos no valor de R$ 55 milhões, sendo todos “reais” e “documentados”. Ele nega, porém, a existência do mensalão, classificando-o de “criação mental” da acusação.
Suspeição
O advogado pede o afastamento do ministro Joaquim Barbosa da relatoria da ação penal, sob o argumento de que o magistrado tem agido com “veemência e contundência”, com pronunciamentos antecipados sobre a acusação de lavagem de dinheiro. “É raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano, alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio ex-presidente Lula”, destaca o documento, grafando o nome de Lula com letras maiúsculas.
Dezessete dos 38 denunciados por envolvimento com o mensalão apresentaram ontem suas alegações finais ao Supremo. O último a protocolar a defesa foi o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken. No começo de junho, Gushiken foi beneficiado por decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que pediu sua absolvição por falta de provas. Gurgel também pediu que Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do Partido Liberal, seja inocentado.

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