sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Calças expostas pelo avesso - Diário PE

O impacto foi grande. As notícias de que roupas produzidas nos polos têxteis de Santa Cruz do Capibaribe, Caruaru e Toritama teriam como parte da matéria-prima lençóis reaproveitados de hospitais dos EUA afugentou os clientes das lojas de confecção do Centro do Recife. Comerciantes estimam que o movimento caiu cerca de 80%, e muitos vendedores já temem perder o emprego. Numa tentativa de retomar o fluxo intenso de vendas, eles estão adotando novas estratégias. Além de não mencionar a origem das calças e shorts, muitos estão virando a mercadoria pelo avesso na frente do cliente para verificar a qualidade do tecido do forro de bolso. 
No box em que a vendedora Raimunda Silva trabalha, na Rua das Águas Verdes, a determinação é mostrar cada detalhe da roupa ao cliente. “Costumava vender muitas peças por dia, com lucro que chegava até a R$ 1.500. Para se ter uma ideia da queda no movimento, hoje, por exemplo, só vendi uma peça de R$ 38”, contou ela, temendo perder o emprego se as vendas não voltarem a crescer. “Ficamos com muito medo, pois recebemos de acordo com o volume de vendas. Por isso, estamos fazendo de tudo para mostrar que nosso material não é feito com aqueles panos sujos. Se o cliente pedir, viramos as calças pelo avesso”.

Segundo os comerciantes, a maioria dos clientes que chega verifica com cuidado as peças, o que antes não era comum. “Eles pedem para ver os forros dos bolsos. Nós, apesar de não trabalharmos com esse material, estamos virando as calças pelo avesso para comprovar, pois muitos não acreditam quando dizemos”, comentou a vendedora Marta Silva. Na loja em que ela trabalha, o movimento caiu 50%. Na Rua da Imperatriz, onde uma enfermeira comprou fronhas com nome de hospitais há dois anos, a repercussão negativa ainda não foi sentida no comércio. “Por enquanto, estamos atribuindo a queda das vendas ao período do ano mesmo”, disse a vendedora Eronice Gomes.


Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Pernambuco, Eduardo Catão, ainda não há motivo para os comerciantes se preocuparem. “Não foi achado nenhum material produzido com lixo hospitalar no comércio da cidade. É preciso apenas cautela”, comentou. O presidente da Associação Comercial de Pernambuco, Luiz Carneiro, acredita que em um mês as vendas se normalizam.

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