Depois de três vitórias consecutivas em disputas pela Prefeitura do Recife, o PT pernambucano deve enfrentar uma das campanhas mais complicadas da sua história. Superado o episódio sobre o destino do deputado e ex-prefeito João Paulo, que optou por permanecer no partido, os petistas lutarão para construir uma candidatura que garanta a manutenção de uma hegemonia iniciada em 2000 na capital. O prefeito João da Costa já se coloca como pré-candidato à reeleição. No entanto, não empolga a totalidade do partido e provoca desconfiança em siglas aliadas. A decisão sobre quem estará na cabeça da chapa em tese caberá ao PT. Mas o aval definitivo tende a ficar com o governador Eduardo Campos.
Em plena cruzada para se firmar como liderança nacional, o socialista sabe o peso negativo que pode ter para o seu currículo uma eventual derrota no Recife. Como o PT segue demonstrando sujeição ao comando do governador, a expectativa é que ele, Eduardo, faça o arremate do palanque governista. E o trabalho “palaciano” já começou. A permanência de João Paulo no PT teve influência do governador. A decisão, aliás, jogou por terra as apostas de que os governistas lançarão mais de uma candidatura na capital e trouxe à tona a especulação de que a base eduardista se articula para demover João da Costa de tentar a reeleição. O nome do senador Humberto Costa (PT) já aparece, inclusive, como possível candidato à prefeitura.
Claro que o governador não estará na linha de frente de uma virtual ação para rifar o prefeito. Esse trabalho deve ser atribuição do próprio PT com a supervisão palaciana. Convencer João Paulo a se engajar na disputa de 2012, depois de ele ter sido “amarrado” por alertas que soaram como ameaças de isolamento – caso decidisse deixar o PT – é outra tarefa a ser tocada pelos petistas. Por fim, o partido terá de encontrar um discurso para explicar ao eleitorado, se for o caso, porque não apostou na renovação do mandato de um prefeito que foi eleito com o apoio do ex-presidente Lula e do governador. Isso tudo sem passar a sensação de estar corrigindo equívocos que porventura tenham sido cometidos em 2008.
Paralelamente à disputa no Recife o PT tentará aumentar seus domínios eleitorais no estado (em 2008 elegeu oito prefeitos). Como continua órfão de bases no interior, voltará sua artilharia para a Região Metropolitana. Planeja lançar a candidatura de deputados federais a prefeituras de municípios estratégicos como Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca.
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